“A menina da janela”
por Lily Vieira
Parada e pensativa observava...
... Pessoas indo e vindo
cheias de pressa e conectadas
aos seus inúmeros aparelhos modernos.
Toda vez via o farol
fechar e abrir quase todos os dias
nos mesmos horários.
Escutava sirenes, buzinas
e claro os famosos xingos...
-Xingos? Era a melodia
rotineira, não um tanto agradável
Como Mozart ou Beethoven.
Pleno sol do meio dia não
estralava e sim gritava,
mesmo diante de tantos
quilômetros de trânsito a estação
lotadíssima e logo saia mais ou menos como dizia Iza um
trilhão de pessoas atrasadas sem falar nos cambistas a todo tempo vendendo seus produtos,
faça chuva ou faça sol sempre há o que vender.
O Farol fechava e os
meninos ligeiros saia correndo fazendo
cambalhotas acrobáticas
com seus rodinhos e baldes
onde sempre achava um jeito para lavarem os vidros
dos carros, sem dizer
aquelas pessoas com sua enormes
placas parecendo um
sanduíche humano anunciando
aqueles apartamentos
luxuosos do futuro, ouvia-se
claramente eles
conversando que ironia do destino,
pois meus caros é o que
temos pra hoje, uns com tantos
outros sem nada é o que
temos pra hoje, o jeito é
ganhar o pão de cada dia.
Todos os dias era assim
Iza a Menina da janela que por nada
saia de lá, de repente
sumiu, escafedeu –se, me perguntava
onde será que ela foi? O
que houve? Iza estará doente?
Minhas perguntas logo
foram sanadas, sabe onde estava Iza? ...
...Do lado de fora,
brincando, cantarolando, sendo ela mesma. Cansada de ver as pessoas e
deixando sua vida passar dias, horas e segundos,
decidiu-se não viver uma representação mas sim a realidade.
Iza ficou triste por ver a
sociedade ligada no irreal
boa parte do tempo, se
sentiu um peixe fora d’água
porque até mesmo seus
próprios pais não lhe dava atenção
nem se quer saber como foi
seu dia, foi então que
começou a observar o mundo
ao seu redor.
Mesmo com tudo e todos os
mimos de uma menininha
de classe média alta, ela
não tinha amigos reais e tudo
porque foi emergida no
século onde a sociedade se auto intitula tecnologicamente “Moderna”.
